24/07/2010

Por que voto Marina


Quando comecei a discutir política no blog, houve um comentário em um dos meus posts alegando que eu era parcial. Mas a imparcialidade nunca foi nem é meu objetivo. Em primeiro lugar eu não tenho compromisso de defender nem atacar qualquer candidatura que seja. Todos os comentários que faço são fruto da minha humilde opinião, sempre buscando ser respeitoso, justo e coerente com o que eu penso. 

Por que digo isso? Por que há quem confunda voto ou declaração de voto com partidarismo. Não sou e nem pretendo ser filiado a nenhum partido político. Entendo ser esta a forma mais livre de exercer a minha liberdade política de poder elogiar ou criticar quem quer que seja, além de claro achar que os partidos políticos são instituições um tanto quanto em decadência, visto a total falta de rumo, personalidade e marcas próprias que os distinguam.

Dito isso, achei interessante fazer um post para expor alguns dos motivos que me fizeram escolher Marina para presidente da república. É a segunda vez que voto para presidente, em 2006 escolhi Alckimin, um voto "chuchu", mas em 2010 eu acho que é necessário a gente apostar em uma nova política.

A gente tem que avaliar o que é que a gente precisa e o que a gente não precisa mais. Por mais que os processos de mudança na política caminhem a passos de tartaruga, a gente deve reconhecer e apostar naquilo que ainda não foi dito nem ventilado. A gente precisa de um pensamento novo que aja com honestidade, a gente não precisa mais de políticos que vistam máscaras e se escondam atrás de discursos politicamente corretos e milimetricamente arranjados. Chega de candidato que não fala por si, chega de gente que pensa velho e não inova.

A gente pode transformar a sociedade de várias formas e uma delas é pela política. Portanto, eu não acredito em política que funcione na base do continuísmo, a gente precisa transformar, nada é tão bom que não possa melhorar. Andar pra frente deve ser não apenas a rima dos jingles, mas o real objetivo que algum político tenha para colocar seu nome para ser votado. Não se concebe que alguém seja candidato para simplesmente substituir alguém, para dar continuidade ao que alguém deixou; não dá pra acreditar em quem entra na política com objetivos escusos, não pode a vida pública ser válvula de escape para aqueles que cometem crimes.

E diante de todo esse cenário desanimador, surge Marina. Uma mulher de idéias novas e que resgata valores como a honestidade do discurso, a serenidade das propostas e a sabedoria do povo mais humilde. O que mais me aflige na candidatura de Marina é a confusão que boa parte das pessoas fazem de sua imagem com a da ex-senadora Heloísa Helena. São duas ex-petistas, mas são totalmente diferentes uma da outra. Heloísa tem uma veia de radical inveterada, um discurso de negar todo e qualquer avanço, uma retórica dos políticos de esquerda ferrenha que às vezes me choca diante da regular falta de senso. Marina é diferente, não só de Heloísa, mas também do casal que concorre com ela a presidência. 

Serra e Dilma estão totalmente engessados, refens de uma estrutura que não os deixam se apresentar perante o eleitorado da forma que eles sonhavam. Dilma esconde atrás de sua imagem alguém que tem opiniões fortes quanto à política econômica, à política das comunicações e à sua própria política de alianças. Ninguém me diga que Dilma se orgulha de ter como aliados Sarney, Collor e Renan Calheiros. Serra, no mesmo dilema, se perde em seu discurso frágil, o tempo inteiro pisando em ovos, medindo o que fala para não atacar de mais e afagar de menos o presidente Lula, alguém que ele tão profundamente desaprova.

Marina não tem máscara, não tem medo, não tem teto de vidro. E em tempos de ficha limpa processual, é bom também a gente evoluir no sentido das fichas limpas morais. Pois entre os três concorrentes, Marina é aquela que de forma mais honesta lida com o seu passado. As idéias de Marina, sobretudo na área ambiental, sua especialidade, trazem uma confiança de que seu estilo é muito mais apaziguador do que radical, que sua maneira de governar é muito mais tranquila do que turbulenta, sobretudo porque Marina aje com respeito aos adversários e propõe a quebra do fisiologismo PT-PSDB que é mais uma separação de cores do que de ideologias.

Mas me dizem: "a Marina vai perder". E o que eu tenho com isso? Se o voto fosse somente para aqueles que ganhassem, nós só teríamos unanimidades. E nem preciso dizer o que o rol dos ditados nos diz sobre a unanimidade. Se assim fosse, bastava fazer uma pesquisa, verificar quem iria ganhar, e empossar o sujeito, já que todo mundo acha que exercer democracia e votar está sempre ligado com ganhar, vencer e : "não perder o voto". E eu pergunto, ganhar ou vencer o quê? Será que a pessoa em quem eu votei só porque iria ganhar, está realmente compromissada e alinhada com aquilo que eu penso ou concordo?

A sociedade é feita de diversos núcleos. E o resultado das urnas reflete a existência desses núcleos. A supressão de núcleos para a satisfação de uma maioria é a base de um sistema ditatorial e a democracia existe pra você expressar e votar em quem você quiser e não em quem vai ganhar.

"A luta é sem trégua, mas a Marina é valente" e ela pode seguir caminhos que a levem à presidência, o Brasil democrático ainda nos assegura muitas eleições daqui pra frente. Ela é calma, serena e responsável. Vai saber lutar por si, por mim. Não desista Marina, eu não vou desistir.

2 comentários:

Kátia disse...

Eu também sou + UM

Luan disse...

Opa... Eu tbm sou +1
Por um Brasil melhor, vamos juntos!