Wilma Maia ou Vilma de Faria, ou como preferirem, jamais enfrentou tamanha dificuldade em sua vida política. Prestes a perder a eleição para o Senado Federal, Vilma se transforma numa líder aleijada.
Vilma se tornou um grande nome da política potiguar ao praticar o que uns chamam de "golpe", outros chamam de "pulo do gato". Comprometida até o talo com o então governador Garibaldi, Vilma, então prefeita de Natal, teve a brilhante idéia de ser governadora. "Aliciou" Carlos Eduardo, então vice, para assumir o cargo titular e comprou duas bananas, uma para Henrique, outra para Garibaldi. Sem saída, os Alves saíram com Fernando Freire, "nascido" e "morto" no longíquo 2002. Vilma ainda botou no bolso um tal de Fernando Bezerra, então favorito, este "morto" em 2006.
O que quero dizer é que Vilma saiu hegemônica, poderosa, forte, dona de si, do povo, do governo, do céu, da terra e do que há além. O que antes era verde-Gari e vermelho-Jajá, ficou turvo com a chegada da terceira via, tão forte quanto às outras duas.
Vilma teve uma sacada de um tal "marketing pessoal", era conhecida como Guerreira, aquela que lutou contra os poderosos com as armas cedidas pelo povo esquecido. Chamou sua gestão de "Governo de Todos" e foi em frente.
A primeira administração de Vilma foi um desastre. Sempre à postos para engatar a marcha pra frente, o governo parecia andar pra trás com a dramática imagem de uma ponte que não conseguia ser concluída. Aí Vilma lembrou do tal marketing pessoal e foi além com um circo armado em torno do "Tá melhor". Desesperada ao ver seu nome emergir aos altos índices de rejeiçao e o de seu adversário Garibaldi decolar na aceitação, Vilma jurou vingança.
A administração era um caos, mas Vilma conseguiu que fosse transformado em verdade o mito da Guerreira, aquela que cresce e ultrapassa a todos. E assim foi, Vilma ganhou de novo, a guerreira do povo mostrava que tinha bala na agulha.
Não sei exatamente o quanto aquela eleição simbolizou pra Vilma, mas acredito que derrotar seus dois maiores adversários, quando eles estavam juntinhos, deu a ela uma sensação de poder absoluto. A gestão Vilma, e isso é reconhecido por aliados, se baseia numa estrutura altamente centralizadora, autoritária e impenetrável.
Aos poucos Vilma se distanciava de sua principal bandeira. A guerreira não era mais o lado fraco, oprimido. A guerreira agora oprimia. A verdade é que Vilma nunca foi o que dizia ser. Seu berço e origem partidária a colocam diante de um dissenso. Não cola seu discurso pobre, em defesa dos humildes, o discurso de aliada de Lula. Os dois, definitivamente, são muito diferentes.
O absolutismo de Vilma teve seu apogeu em 2008, quando num outro "golpe" ou "pulo do gato" ditou que seu partido não teria candidato a prefeito, o deputado Rogério Marinho, e sim se coligaria com o PT da sempre desacreditada Fátima Bezerra. Mas Vilma acreditava que tudo podia. Eleger Fátima seria barbada. Perdeu. Não sei se do alto do seu salto alto Vilma teve humildade para contabilizar o tamanho daquela derrota para si própria. Talvez Vilma tenha concluído que a derrota foi de Fátima, somente. A cegueira provocada pelo poder faz exatamente isso.
O certo é que hoje Vilma colhe o que andou plantando por aí, pelos "pulos de gato" dados. Mas você pode pensar: "não foi só Vilma que pensou só em si, política tem sempre disso". Sim meus amigos, tem sempre disso. Mas você já ouviu falar em "bode expiatório"? Pois é, a história às vezes cria alguns.
Vilma, superestimada nesta campanha, terá uma vergonha de votação. O destino às vezes é cruel com certos políticos.
PS.: Atenção aspirantes, não deixem o absolutismo se tornar absoluto. Não subestime o adversário, nunca pense que você vai conseguir independentemente dos passos dados pelo outro. Não sei se a guerreira vai conseguir descobrir isso um dia.

1 comentários:
Execelente, Artigo! PH controlado, sem deixar de ser ácido.
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