08/10/2010

Eleições Presidenciais 2010. Balanço

Com o fim do primeiro turno das eleições, o que resta pra gente é tentar compreender o que as urnas disseram e aumentar nossas esperanças nos eleitos.

A eleição presidencial foi a um segundo turno pouco apostado. Até o último minuto, o IBOPE não dizia de forma definitiva se o segundo turno poderia acontecer. O fato é que ele aconteceu, graças a um projeto de terceira via, graças à Marina Silva.

Marina teve um show de votação. Provou que é possível fazer diferente. Marina foi altamente desacreditada por setores do PSDB e do PT, seu discurso foi diminuído e até ridicularizado. Hoje, os dois que passaram para o segundo turno, correm atrás do prejuízo, revendo até certas posições acerca do meio-ambiente para conquistar votos.
Acontece que o eleitor de Marina aprendeu com ela um novo jeito de se pensar política. Os 20 milhões de Marina não lhe devem favor, portanto, não são bois a segui-la para onde for. Marina sabe que não é dona dos votos, que não vai transferí-los. E isso é bom.

Dilma, Serra e toda a classe política deveria interpretar o que disseram as urnas. Não foi apenas uma manifestação acerca da necessidade de se preservar o meio-ambiente, porque a candidatura e o sucesso de Marina quis dizer muito mais que a questão ambiental. Quis dizer sobre uma nova forma de mobilizar os jovens, de acreditar que ainda existe gente preocupada com o que realmente importa, de sonhar com novas idéias e ideais. Marina inovou e foi a única coisa importante que aconteceu nessa eleição. Dilma e Serra são aleatórios, previsíveis e mais do mesmo. 

Marina perdeu, ganhando. Não precisou ir para o vale tudo eleitoral, não precisou entrar no promessômetro desesperado. Tinha um minuto por dia na TV e mesmo assim assumiu todas as suas opiniões diante de temas polêmicos. Marina não foi hipócrita, nem irresponsável nos ataques. Exemplo de postura, retidão e ética.

Eu fico sinceramente, bastante agredecido à Marina por me fazer escutar tanta coisa nova, que faz sentido e que deve fazer parte de nossa compreensão sobre a política do século XXI. Até quando ela e eu pudermos, votarei nela.

Serra e Dilma. E agora?



Dilma e Serra são dois estranhos num estranho segundo turno. Isso porque ambos não acreditavam nele. Uma porque já achava que estava eleita, e outro porque sabia que já estava derrotado. 

 Serra teve uma campanha de dar pena até no mais petista dos corações. O candidato viu sua candidatura cair na aceitação de forma brusca, sem ter muito o que fazer. Serra foi esquecido por aliados, até porque também esqueceu alguns, como FHC. Serra teve medo do confronto direto com Dilma, se escondeu de baixo das próprias asas. Serra não teve blindagem, Dilma teve. Em todo primeiro turno Dilma estava debaixo das saias de Lula, enquanto Serra não teve para onde se esconder. Todo mundo malhava, tripudiava, chutava cachorro morto. Serra foi alvejado e chegou ao segundo turno da forma mais melancólica possível. A única esperança dos tucanos era Marina, só ela seria capaz de obrar o milagre. Serra esperou o segundo turno cair do céu, não fez absolutamente nada para ele acontecer. O fato é que está nele. Agora, o PSDB tenta juntar os cacos de um partido que já havia jogado a toalha.





Dilma chega ao segundo turno derrotada. Foi um choque que nem ela, nem Lula, nem o PT, nem o PMDB esperavam. Dilma foi feita para ganhar no primeiro turno, sua imagem, aparência e aparato eleitoral tinham prazos curtos. Quanto menor o tempo, melhor, mais escondida estaria as verdadeiras idéias de Dilma. No finalzinho do primeiro turno, começou na internet uma campanha que julga mostar a verdadeira Dilma. A Dilma que é homossexual, a favor do aborto, atéia, terrorista e assassina. Essa campanha de fato encontrou guarida em certos setores da sociedade, sobretudo os mais conservadores. O segundo turno, em muito, é creditado também a esta campanha. Mas eu não tenho certeza se de fato ela foi determinante. O fato que agora sim, todo esse passado de Dilma virá à tona. O segundo turno promete ser um ringue de baixaria e mesquinhez. O que eu acho é que esse é o ônus quando se faz um candidato montado, engessado, plastificado. Ninguém é mercadoria, somos feitos das nossas preferências, opiniões e valores. Quem quer ser presidente da República tem que deixar isso muito claro. O que me deixa triste é que infelizmente a sociedade ainda tem o costume de rotular as pessoas. Dilma jamais se assumiria homossexual, jamais diria ser a favor do aborto, jamais assumiria que não acredita em Deus, tudo por causa da hipocrisia e do conservadorismo que impedem que as nossas discussões acerca do que de fato é melhor para o Brasil estejam livres de rótulos e preconceitos. Dilma é vítima dessa campanha difamatória porque não pode nem assumir posições, nem falar sobre elas, pior, deve fingir que não as tem.

No próximo post,  Eleições Estaduais 2010. Balanço.




1 comentários:

Mara Farias disse...

É.Aseleições aconteceram,consegui alguns seguidores de Marina Silva,alguns até conservadores,como o povo da minha família!hehehehe
O segundo turno me assusta e me deixa triste por mais uma vez o povo está escolhendo por esteriótipos como fizeram nas eleições da prefeitura aqui de Natal!É lastimável ainda ter pessoas que discutem política assim.