28/08/2011

A faxina ética de Dilma e outras drogas.

Pra começar, neste texto eu usarei PRESIDENTA para me referir à chefe do poder executivo. Faço isso primeiro porque a Língua Portuguesa me permite e segundo porque eu quero! Valeu?

Bom, o primeiro ano de governo de Dilma não está sendo fácil. No entanto, pouco a pouco ela vai imprimindo um jeito próprio de gerir o país. Para uma inexperiente como ela, tendo que enfrentar todo o sistema viciado da relação Planalto-Congresso, e ainda tendo que lidar com a sombra de Lula, Dilma acertou mais do que errou. Nos erros, repetiu os seus antecessores, entretanto nos acertos, inovou ou revigorou a figura de presidente.

A faxina ética, a que ficou conhecida o conjunto de medidas contra a corrupção dentro de seu próprio governo, além de ser sadia para a probidade administrativa, ainda cola na presidenta a imagem de quem está disposta a fazer uma nova política. Todo avanço, no entanto, tem um preço. O congresso reagiu e Dilma teve que diminuir a velocidade de sua vassoura. É, “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade.”

Mas não importa, o fato é que Dilma teve a coragem que faltou ao seu antecessor. Lula, blindado pela opinião pública, ao invés de proporcionar uma atitude ética em seu governo ou até mesmo de mexer os pauzinhos para uma reforma política, preferiu fazer o contrário: aproveitar a imensa popularidade para calar os escândalos de corrupção.

O certo é que a herança eleitoral e política deixada por Lula, fez Dilma estar onde estar e se sentir a vontade para continuar sua obra. No entanto, a herança ética de Lula não foi bendita. Todos os focos de escândalos do novo governo têm nascença nos governos passados. A faxina de Dilma, portanto, macula Lula.

Não surpreende que, por causa disso, o ex-presidente tenha aparecido mais do que deveria. Veio a público “defender” os aliados e apadrinhados. Começa a se formar um bloco que, em público cogita, mas em privado torce e faz campanha pela volta de Lula. 

Eu particularmente acho legítimo Lula se candidatar quando quiser. O que vejo, no entanto, é que esta candidatura agora está ganhando força diante da atitude da presidenta de punir os malfeitores. 

Isso só reflete o grau de inversão a que chegamos. Só nos mostra que uma reforma política, além de utópica, é essencial para a vida sadia das instituições. Tínhamos que arranjar um novo jeito de se pensar os partidos políticos. Não dá para concebê-los como hoje estão. 

Eu não acredito mais em nenhum partido político. Por isso não me filio nem visto a camisa de nenhum. Eu acredito em pessoas, até que me façam desacreditar. Eu voto em gente que pulsa, que pensa e que muda. Sei que minha posição é contraditória, mas diante do sistema vigente, é a única que me proporciona ainda acreditar na política. Tem gente muito boa em todos os partidos e gente ruim em todos eles. Vislumbrar partidos uniformes, com posições ideológicas antagônicas, está cada vez mais ultrapassado. A prova é a própria história. PT e PSDB vêm tendo a mesma experiência governamental e com poucas diferenciações. O que um começou, o outro continuou, aprimorou, melhorou. O que demonstra que PT e PSDB, apesar das diferenças estatutárias, rezam a cartilha da “velha” ordem mundial capitalista e neoliberal.

Não me venham com paixões, o que deve nos unir é a esperança de um dia melhor, e mesmo que caminhemos até ele com a velocidade de uma formiga, que ainda assim não deixemos de caminhar, de esperar e de incentivar o mínimo de vontade de uma mulher que demonstrou estar preocupada em dar uma contribuição diferente para o Brasil. Apesar de ter diminuído o passo, tirado o foco do combate à corrupção, e de ter se sentido ofendida com os termos “vassouras” e “faxina”, que remetem à função delegada às mulheres numa sociedade machista, eu espero que Dilma não descanse em continuar criando a imagem de uma presidenta vigilante, nem que essa criação tenha puro fim eleitoreiro. Temos que jogar com as armas que temos. Presidenta, com todo o respeito, eu lhe compro uma vassoura!

1 comentários:

Camila Ribeiro disse...

Muito bom!!
Não nos deixe sem os seus textos!! ;)

Ah e ri alto com o final! kkkkkkkkk

Bjs.